Um empate nos próximos dois jogos deve ser suficiente para os argentinos avançarem
São Paulo, SP - Acompanhar a trajetória de Lionel Messi no futebol é um privilégio. Admirá-lo em campo em seis Copas do Mundo, vê-lo levar a Argentina ao tri e agora igualar o alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro da história da competição com 16 gols. Não cabe mais discussão sobre relevância, capacidade física e técnica de um atleta de 38 anos que expôs, nesta terça-feira, na vitória da seleção argentina por 3 a 0 sobre a Argélia, que está apto a ser decisivo e buscar mais um troféu para o seu país.
O futebol traça roteiros brilhantes. Uma noite de consagração começou com gosto de desilusão para Messi após ter um gol anulado. Mais tarde, porém, o argentino desencantou, balançou a rede três vezes - marca inédita em sua carreira em Copas - e garantiu o triunfo dos atuais campeões.
A falta de desafios relevantes nos últimos amistosos deixou dúvidas sobre qual Argentina seria vista em campo na Copa. Messi estava em condições de servir a sua seleção? As perguntas viraram pó. Só restam certezas, ainda mais com os companheiros fazendo do craque um líder e procurando o artilheiro a todo instante.
Messi é um poço de criatividade, liderança e altivez. Ele foge dos holofotes, mas os holofotes do futebol o encontram. Por mais que ele relute em ser Messi, o destino está selado. Se faltava algo para o argentino, não falta mais. O argentino é o símbolo do esporte moderno, combinando genialidade com organização.
O resultado deixa a Argentina com três pontos, e a Argélia com zero. Um empate nos próximos dois jogos deve ser suficiente para os argentinos avançarem. Ainda jogam na rodada Jordânia e Áustria.
A Argentina volta a campo na próxima segunda-feira para enfrentar a Áustria, às 14h (de Brasília), em Arlington, no Texas. A Argélia joga à zero hora na terça-feira contra a Jordânia, em Santa Clara.
Com apenas 8 minutos de jogo, duas comemorações de gol foram frustradas. Messi marcou primeiro, mas o impedimento semiautomático mostrou o argentino em posição irregular. Logo depois, foi a vez de o argelino Chaïbi anotar e ter o gol anulado.
As circunstâncias do jogo favoreceram uma noite inspirada de Messi. O astro viu uma brecha entre as linhas de meio-campo e defesa da Argélia, carregou a bola, encheu o pé e contou com ajuda do filho de Zidane para colocar a Argentina em vantagem, aos 18.
Aos 31, os jogadores da Argélia pressionam a arbitragem pela aplicação de um cartão vermelho a Messi. O argentino acertou o jogador da seleção da África com as travas da chuteira. O VAR ignorou o lance.
Em desvantagem, a Argélia tentou valorizar a sua posse de bola e intensificou a presença ofensiva. No entanto, a diferença técnica também impedia que o time argelino conseguisse levar mais perigo a Dibu Martínez. Nos últimos minutos, a Argélia mostrou que com alguns ajustes poderia buscar o empate no segundo tempo.
Na volta do intervalo, a Argélia insistiu em se fixar no campo de ataque, mas passou a permitir contragolpes para os argentinos Os tricampeões mundiais tramaram jogadas de velocidade e contavam com o brilhantismo de Messi para passes precisos e finalizações.
E o segundo gol foi marcado de novo por Messi. Novamente com contribuição do goleiro Zidane. Mac Allister chutou, o goleiro argelino deu rebote e Messi marcou no rebote, aos 15 minutos. Em seguida, o craque da Argentina quase fez outro, mas dessa vez Zidane fez grande defesa.
Messi se mostrou incansável. Os seus companheiros claramente estavam jogando para que o craque batesse recordes. O camisa 10 era procurado a todo instante. Aos 31, recebeu um passe perfeito para chutar e marcar mais um, igualando o maior artilheiro da história das Copas, Miroslav Klose.
Messi só não fez o quarto porque foi substituído e deu lugar em campo a Nico Paz. O artilheiro deixou o campo reverenciado.
FICHA TÉCNICA
ARGENTINA 3 x 0 ARGÉLIA
ARGENTINA - Dibu Martínez; Montiel (Montiel), Lisandro Martínez, Cristian Romero (Otamendi) e Medina; De Paul, Enzo Fernández e Mac Allister; Messi (Nico Paz), Lautaro Martínez (Julián Álvarez) e Almada (Nico González). Técnico: Lionel Scaloni.
ARGÉLIA - Luca Zidane; Belghali, Bensebaini, Mandi e Ait-Nouri; Boudaoui (Aouar), Bentaleb (Zerrouki), Chaïbi e Maza (Boulbina); Hadj Moussa (Mahrez) e Gouiri (Amoura). Técnico: Vladimir Petkovic.
GOLS - Messi, aos 17 minutos do 1º tempo, aos 15 e aos 31 do 2º tempo.
ÁRBITRO - Szymon Marciniak (POL).
PÚBLICO - 69.045 torcedores.
LOCAL - Arrowhead Stadium, em Kansas City (EUA).
Foto: AFP
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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