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Fies paga matrícula negada e professor cobra explicações da Unama em Belém

Aluno diz que financiamento foi repassado à universidade mesmo após instituição rejeitar sua matrícula e relata cobrança da Caixa e negativação.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/08/26 12:00
Fies paga matrícula negada e professor cobra explicações da Unama em Belém
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Universidade da Amazônia (Unama), integrante do grupo Ser Educacional, anunciou nesta semana lucro líquido de R$ 106,3 milhões no segundo trimestre de 2026, resultado 30,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No mesmo balanço, o grupo informou receita líquida de R$ 622 milhões e 334 mil estudantes matriculados ao final de junho.

 

Professor aprovado em 2024 relata que mesmo com matrícula rejeitada, instituição segue recebendo financiamento/Fotos: Divulgação.

É nesse universo de números que surge um caso que pede explicações da instituição e da Caixa Econômica Federal: um professor afirma ter tido a matrícula rejeitada pela Unama, mas, ainda assim, descobriu que parcelas de um contrato do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) firmado em seu nome teriam sido repassadas à universidade.

O professor Pedro Hamilton Marinho Gomes conta que foi aprovado, em 2024 para o curso de Direito da Unama, com financiamento pelo Fies Social. Em 2025, quando apresentou a documentação solicitada para efetivar a matrícula, recebeu a informação de que o procedimento havia sido indeferido.

Segundo Pedro, a justificativa apresentada pela instituição foi a existência de duas parcelas em aberto referentes a um curso realizado por ele em 2001. O professor contesta a cobrança e lembra que se trata de uma dívida antiga, relacionada a um período anterior à atual configuração empresarial da Unama.

“Fui aprovado, consegui o financiamento e, quando fui efetivar a matrícula, ela foi indeferida por causa de uma suposta dívida antiga”, relata.

O problema, segundo ele, não terminou com a negativa da universidade. Posteriormente, Pedro passou a receber contatos da Caixa informando que havia valores em aberto referentes ao financiamento estudantil. Foi quando decidiu procurar a instituição financeira. De acordo com os documentos que apresentou à coluna, o professor constatou registros de repasses relacionados ao contrato do Fies em favor da Unama, apesar de a matrícula ter sido rejeitada pela universidade.

A situação criou um paradoxo: de um lado, o estudante afirma não ter sido matriculado nem ter frequentado uma única aula; de outro, documentos bancários apresentados por ele indicariam movimentações financeiras vinculadas ao financiamento contratado para custear justamente sua graduação.

O professor também contesta a cobrança decorrente do contrato e afirma que seu nome acabou incluído em cadastros de proteção ao crédito. Segundo ele, a Caixa informou que a situação decorreria dos valores relacionados ao financiamento que, conforme os documentos apresentados, continuaram sendo contabilizados.

Banco retira valor

A controvérsia ganhou outro capítulo quando, segundo Pedro, a Caixa retirou R$ 240 de sua conta no aplicativo Caixa Tem. Ele afirma que não autorizou o débito e questiona a justificativa apresentada para a operação. Ainda segundo o professor, após reclamar da retirada, recebeu a informação de que o valor seria devolvido em até cinco dias. Passados quase 15 dias, porém, ele afirma que o ressarcimento não havia ocorrido.

Pedro também procurou a Ouvidoria da Caixa. A resposta recebida, segundo ele, não esclareceu especificamente a razão da retirada do dinheiro nem resolveu a questão central relacionada ao financiamento e aos repasses para a universidade. O caso, portanto, envolve duas questões distintas que precisam ser esclarecidas: a situação acadêmica do aluno - cuja matrícula, segundo seu relato, foi rejeitada - e a movimentação financeira vinculada ao contrato do Fies firmado em seu nome.

 Os números do grupo

Os dados financeiros divulgados pelo próprio Ser Educacional ajudam a dimensionar o tamanho da instituição envolvida no episódio. No segundo trimestre, o grupo registrou receita líquida de R$ 622 milhões, crescimento de 5,6% sobre o mesmo período de 2025, e lucro líquido de R$ 106,3 milhões, alta anual de 30,7%.

Ao final de junho, eram 334 mil estudantes matriculados, número 2,8% menor que o registrado um ano antes. Na graduação presencial, porém, a base chegou a 195,1 mil alunos, crescimento de 4,4% em 12 meses.

O balanço não informa quantos desses estudantes são financiados pelo Fies. Essa ausência impede, a partir dos dados públicos apresentados, dimensionar quanto o grupo recebe por meio do programa ou saber se existem outros casos semelhantes ao relatado pelo professor.

É importante ressaltar que o episódio envolvendo Pedro Gomes é, até aqui, uma denúncia individual e não permite concluir que tenha ocorrido irregularidade sistêmica. O que os documentos apresentados pelo professor indicam é uma aparente incompatibilidade entre a rejeição de sua matrícula e os registros de repasses vinculados ao financiamento.

Unama foi procurada

A Coluna Olavo Dutra encaminhou à Assessoria de Imprensa da Unama pedido de esclarecimentos sobre o caso, acompanhado dos documentos apresentados pelo professor Pedro Gomes. Até o fechamento desta matéria, a instituição não havia respondido às perguntas encaminhadas pela coluna.

A Caixa Econômica Federal também é parte importante para esclarecer o episódio, especialmente quanto aos registros do financiamento, aos supostos repasses à instituição de ensino, à cobrança atribuída ao contrato, à negativação do nome do professor e ao débito de R$ 240 em sua conta. O espaço permanece aberto para manifestações da Unama, da Caixa e dos demais envolvidos.

No caso, mais do que discutir uma dívida antiga ou a burocracia de uma matrícula, há uma pergunta objetiva que precisa de resposta: se o aluno não foi matriculado e afirma não ter recebido uma única aula, por que existem registros de recursos do Fies vinculados à sua graduação?

Papo Reto

A Usina Hidrelétrica de Tucuruí reforçou o monitoramento e realizou simulação de segurança depois de novos tremores registrados na região. 

•Em junho, a Rede Sismográfica Brasileira registrou uma sequência de três terremotos, sentidos por moradores. O Centro de Sismologia da USP recebeu 26 relatos da população sobre os abalos. 

Uma pesquisa Meio/Ideia encontrou um dado tão inusitado quanto revelador do ambiente das redes sociais: 12,5% dos entrevistados disseram acreditar que Lula morreu e foi substituído por um clone ou sósia. 

•É aproximadamente um em cada oito entrevistados. A teoria circula nas redes desde 2022 e já foi objeto de checagens.

A tentativa de filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão, que o senador afirma não ter autorizado, provocou uma crise às vésperas do registro das candidaturas. 

•O TSE informou que não houve invasão ao sistema e restabeleceu a filiação de Flávio ao PL. O episódio está sendo investigado e envolve acusações cruzadas entre o partido e o grupo do candidato. 

São Paulo não é a capital brasileira com maior congestionamento, segundo o TomTom Traffic Index 2025. 

•Recife aparece em primeiro lugar, seguido por Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo. O Rio de Janeiro fecha a quinta posição. A capital paulista, portanto, ficou fora do pódio - embora continue entre as cidades brasileiras de trânsito mais pesado. 

•A Caixa Econômica Federal marcou para 20 de agosto o leilão do apartamento comprado pelo deputado Eduardo Bolsonaro em Botafogo, no Rio de Janeiro. 

•O imóvel, de 101 metros quadrados e com vista para a Baía de Guanabara, tem lance mínimo de R$ 644,3 mil. Segundo as informações divulgadas, o banco retomou o imóvel em razão de inadimplência do financiamento.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.