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MULHER NA POLÍTICA

Justiça determina novas medidas protetivas contra vereador Braga

Reincidência de parlamentar em Ananindeua reacende debate sobre o cumprimento das leis de amparo à mulher.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/06/26 08:00
Justiça determina novas medidas protetivas contra vereador Braga
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Justiça Eleitoral determinou o cumprimento imediato de novas medidas cautelares e protetivas contra o vereador Braga, de Ananindeua. A decisão decorre de uma denúncia formalizada pela vereadora licenciada e atual secretária de Desenvolvimento Econômico do município, Ivelane Catarini, que acusa o parlamentar de violência política de gênero e de proferir declarações de teor machista.

Parlamentar acumula histórico de litígios que apontam um padrão recorrente de comportamento/Fotos: Divulgação.
O pedido de amparo judicial foi protocolado pela secretária e gerou forte repercussão na imprensa e nas redes sociais. O episódio ocorre em um momento politicamente sensível, marcado pela proximidade do período eleitoral, o que intensifica as discussões sobre a eficácia dos mecanismos de responsabilização e o combate à reincidência em crimes dessa natureza no cenário público.

Histórico de conflitos

Esta não é a primeira vez que a conduta do vereador Braga é objeto de intervenção do Poder Judiciário. O parlamentar acumula um histórico de litígios semelhantes que evidenciam um padrão recorrente de comportamento nos últimos anos.

Em 2024, a então comandante da Guarda Municipal de Ananindeua, Renata Risuenho, denunciou o parlamentar por ataques verbais e manifestações machistas. À época, respaldada pela Lei Maria da Penha, a Justiça concedeu as primeiras medidas protetivas, ordenando que o vereador se abstivesse de manter contato com a denunciante ou de emitir declarações ofensivas contra ela.

No mesmo ano, apesar das restrições impostas, Braga reiterou as declarações depreciativas em cerimônias públicas. O juiz João Ronaldo Corrêa Mártires, titular da 3ª Vara Criminal de Ananindeua, rejeitou expressamente o argumento de imunidade parlamentar invocado pela defesa. O magistrado destacou que as prerrogativas constitucionais do cargo não podem ser utilizadas como blindagem para a prática de atos ilícitos.

Em maio de 2026, a vereadora Ivelane Catarini formalizou uma nova representação contra Braga. Segundo a denúncia, o parlamentar reproduziu os mesmos padrões de agressão verbal e intimidação. A reiteração do comportamento levou a Justiça Eleitoral a intervir, reforçando a imposição das restrições legais.

Questão da impunidade

Para analistas políticos e juristas, o caso transcende o desentendimento pessoal e expõe fissuras na estrutura de controle e ética do poder público local. A reincidência de um representante eleito na prática de atos de intimidação, mesmo após reiteradas advertências e sanções judiciais, sinaliza potenciais falhas nos mecanismos de punição administrativa e legislativa.

Quando as decisões do Judiciário parecem insuficientes para conter condutas abusivas, a percepção de impunidade se consolida perante a opinião pública. Esse cenário compromete a credibilidade das instituições democráticas, alimentando a ideia de que mandatários políticos gozam de privilégios que os colocam acima do ordenamento jurídico comum. Em um município como Ananindeua, que lida com complexos desafios socioeconômicos, o debate ressalta a urgência de lideranças pautadas pela retidão ética e pelo estrito respeito aos direitos humanos.

Pedras no caminho

A persistência de tais episódios impacta diretamente o ingresso e a permanência de lideranças femininas nas esferas de poder. A violência política de gênero, devidamente tipificada na legislação brasileira pela Lei nº 14.192/2021, abrange condutas que visam excluir, desencorajar ou silenciar as mulheres na vida pública, indo além das ofensas verbais diretas.

A nova denúncia apresentada pela secretária Ivelane Catarini expõe a hostilidade que ainda permeia os ambientes de disputa política. Especialistas apontam que a tolerância institucional com tais práticas gera um efeito inibidor: ao perceberem o espaço público como um território de agressão e desrespeito, menos mulheres se sentem encorajadas a disputar pleitos eleitorais. O resultado é um ciclo restritivo que compromete a pluralidade e a justa representação demográfica nos parlamentos.

Escrutínio público

Diante da nova determinação da Justiça Eleitoral, as atenções se voltam para a Câmara de Ananindeua. O posicionamento do parlamento municipal em relação ao comportamento do vereador Braga passará por uma rigorosa avaliação da sociedade civil.

O Legislativo enfrenta o dilema entre a inércia corporativa e o dever de zelar pela ética parlamentar. A ausência de uma resposta contundente - como a abertura de procedimentos no Conselho de Ética ou investigações internas - pode ser interpretada pela população como uma anuência tácita a comportamentos discriminatórios, acarretando sério desgaste político para a imagem do parlamento. Por outro lado, uma postura rigorosa reafirmará o compromisso da instituição com a legalidade, a igualdade de gênero e a dignidade na atividade política.

Casos Brasil afora

Tanto no âmbito do Poder Judiciário quanto no Legislativo, alguns parlamentares foram punidos ou enfrentaram a perda de seus mandatos por condutas que se enquadram nesse crime. O primeiro caso julgado no Brasil sob a égide da Lei de Violência Política de Gênero ocorreu na Câmara de Pedreiras (MA). Na ocasião, o vereador Emanoel Nascimento arrancou de forma agressiva o microfone das mãos da parlamentar Katyane Leite. O parlamentar foi punido na esfera judicial. Outro caso ocorreu em 2025, na Câmara do município de Pedra Preta, a 243 km de Cuiabá, no Mato Grosso, que cassou o mandato do vereador Gilson da Agricultura por quebra de decoro parlamentar. No Ceará, o Tribunal Regional Eleitoral manteve a condenação penal de um vereador do município de Russas, acusado pelo MPF de assediar e humilhar uma colega de parlamento em razão de sua condição de mulher. 

Cientistas políticos apontam que a combinação de fraudes nas cotas de partidos - as chamadas candidaturas-laranja -, a violência política de gênero, como no caso do vereador Braga, e a falta de repasse efetivo de recursos de campanha funcionam como barreiras invisíveis que barram o avanço dessas proporções nas urnas.

Papo Reto

A defesa do ex-deputado Luiz Afonso Sefer (foto) conseguiu ganhar fôlego no Superior Tribunal de Justiça. O ministro relator adiou o julgamento de agravos regimentais após acolher pedido fundamentado na impossibilidade de comparecimento do advogado à sessão marcada para esta terça-feira. 

•A banca comprovou que já tinha sustentações orais e compromissos profissionais agendados antes da nova inclusão do processo em pauta. Em nome da ampla defesa e do direito à sustentação oral, o STJ retirou o caso da pauta e empurrou a análise para a próxima sessão ordinária. 

No mundo jurídico, às vezes, o relógio também faz parte da estratégia.

•Aposentados e pensionistas do INSS ganharam uma nova oportunidade para conhecer o País. Pelo programa Voa Brasil, passagens aéreas podem ser adquiridas por até R$ 200 por trecho, desde que o beneficiário não tenha viajado de avião nos últimos 12 meses. 

A iniciativa busca ocupar assentos ociosos e democratizar o acesso ao transporte aéreo. Além de estimular o turismo, ajuda a lembrar que voar não deveria ser privilégio de poucos.

•A Universidade Federal do Rio de Janeiro fará, em julho, a diplomação póstuma de Stuart Angel Jones, estudante de Economia assassinado pela Ditadura Militar em 1971. 

O gesto remete ao reconhecimento concedido pela UFPA ao estudante Cezar Morais Leite, morto dentro de uma sala de aula da universidade em 1980. 

•Tardias, essas homenagens não reescrevem a história, mas ajudam a impedir que ela seja esquecida. Em tempos de disputas sobre a memória nacional, recordar também é um ato de justiça.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.